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Mostrando postagens com o rótulo Ficção Brasileira Conemporânea

#58 As águas-vivas não sabem de si, de Aline Valek

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(Arte de capa: Manon Bourgearde)                “ A composição da água é parte oxigênio, parte hidrogênio, dizem, mas não sabem que é também parte memória.” Imersivo e profundo. Esses dois adjetivos podem soar como trocadilho infame ao qualificar uma história que se passa no fundo do mar. Mas atualmente estudo o incrível “A rainha dos cárceres da Grécia” , que trata da escrita de ficção fazendo dela uma deliciosa salada. Por isso, sinto-me empoderada o suficiente para utilizar os adjetivos acima e acreditar que você, leitor, vai mergulhar comigo e ler a resenha até o fim.  A protagonista de “As águas-vivas não sabem de si” é  Corina da Costa (eu não sou a única a apreciar trocadilhos e alusões). Apesar de estar num momento de crise, ela é uma mergulhadora experiente e trabalha há anos em profundidades abissais. Atualmente, Corina integra a tripulação da Auris, um batiscafo de pesquisa cujo objetivo é testar a última tecnologi...

#56 Dica dupla: "Bastardos e Cinzas": Lilia Guerra e Daniela Falcão

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  Hoje, comento dois livros de autoras brasileiras contemporâneas. Ambas paulistas, têm em comum também romances que chacoalharam a lôka dos livros que vos escreve. (Capa: Paula Carvalho, sobre obra de Leandro Junior) No começo da narrativa, Doralice, Regina e Cassiana conversam sobre suas famílias. Apenas uma delas tem o nome do pai na certidão de nascimento, e essa é a única informação que tem dele. Nos capítulos seguintes, por meio das observações e anotações que faz, Nara, ou Sá Narinha, nos apresenta um caleidoscópio com cenas da vida de moradores de Fim-do-Mundo.  As observações da narradora contemplam a ternura das mães do local, as sucessivas gerações e o ciclo de morte, nascimento e crescimento acompanhado por ela desde a sua chegada ao bairro na juventude. Este, como aliás afirmou Lilia Guerra em entrevista , é o verdadeiro protagonista da história. O enredo mostra ainda as lembranças de família e de infância de Sá Narinha, num misto de nostalgia e tentativa de ent...