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Mostrando postagens com o rótulo Livros e eu

#51 Sobre ler vários livros, Parte 2

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  (Foto: Depositphotos.com ) Compartilhar meus achismos sobre o que leio era um desejo antigo, da época em que blogs faziam sucesso e as redes sociais da moda eram outras. Publicar meu post de número 50 me deixou muito feliz. Finais de ciclo e números redondos costumam mexer com a gente e nesse meu marco pessoal não foi diferente.  Porém, há algumas semanas tenho sentido fadiga mental. Refletir sobre os motivos (que não incluem excesso repentino de trabalho nem problemas maiores que a média da vida adulta) me fez concluir que a razão para o cansaço é a mesma que acomete muita gente nos dias atuais: excesso de informação. Nas últimas férias não viajei, então decidi fazer um curso cujo material ainda não esgotei. Também terminei a leitura de “Dom Quixote” (um pouco sobre ele aqui e aqui ) mas ainda estou estudando a obra num curso excelente da Yale University (se você pretende ler ou reler o Quixote, eu recomendo muitíssimo como material de apoio). Juntando essas atividad...

#46 Sobre ler rápido ou devagar (e, como resultado, "muito" ou "pouco")

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(Imagem: vecteezy.com ) O mundo atual pede que a gente se mova num ritmo vertiginoso, afinal tudo é “para ontem”. Nossa atenção quase sempre está dividida, tentando dar conta das demandas infinitas, sejam internas ou externas. Nesse cenário, como ficam as leituras? Desde pequena, até antes de ser alfabetizada (quando minha mãe lia gibis da Turma da Mônica em voz alta), a leitura sempre cumpriu na minha vida um papel de entretenimento e informativo ‒ curiosa, eu adorava ler até enciclopédias quando fazia trabalhos escolares.  Durante a graduação em Letras, eu precisava ler conteúdo do curso, claro. Felizmente eu gostava da maioria dos assuntos mas, mesmo assim, achava cansativo só ler o que me mandavam, então esse foi o período da vida em que menos li apenas por prazer. De qualquer forma, eu encaixava leituras de lazer sempre que possível pois considero insuportável viver sem contato com boas histórias. Naquele período, com a escassez de tempo que limitava a quantidade de leituras f...

#42 Sobre não ler livros "da moda"

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Quando alguém diz “É um bestseller , então deve ser bom” (Imagem: kindlepreneur.com ) Outro dia, ao escolher um título na pilha de próximas leituras, me lembrei deste mini “causo” acontecido anos atrás.  Um grupo de colegas e eu conversávamos com o professor de Tradução antes da aula. Numa das pausas, ele apontou o calhamaço em cima da minha carteira e perguntou “o que você está lendo?” Eu, envergonhada (pois preferiria ser pega lendo algum clássico tipo “Ilíada” do que um livro da então moda adolescente vampiresca), mostrei o volume de “Breaking dawn” (que na época amei, por sinal) e balbuciei algum comentário confuso que provavelmente só aumentou meu embaraço. O professor respondeu algo de que me lembro com frequência: “ Ms. Morland , nunca sabemos a real importância de um livro na época em que ele é publicado. Bestsellers podem um dia ser considerados lixo, e fracassos de público e crítica podem vir a tornar-se clássicos. Portanto, leia o que tiver vontade, divirta-se e não sin...

#40 Dicas Rápidas: Alice Munro e Natalia Borges Polesso

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  A contista canadense Alice Munro (Foto: Divulgação/VEJA) Eu tinha outra programação para o post desta semana, mas após o falecimento de Alice Munro, ocorrido na semana passada, eu precisava escrever sobre ela. Havia, entretanto, um problema: eu li a autora pela última vez anos atrás, então como analisar sua obra sem reler? Foi em 2013, quando Munro ganhou o Nobel, que eu soube da existência dela. Sua primeira coletânea de contos que li foi “Fugitiva”. Apesar de ter me esquecido de todos os detalhes, lembro de dois fatos: 1) eu me identifiquei com muitas das personagens das histórias ali contadas e 2) fiquei feliz por ter conhecido mais uma excelente autora canadense. Eu havia sentido certa frustração quando, em uma aula de Literatura e Cultura de Povos de Língua Inglesa, uma professora perguntou à turma quais autores canadenses conhecíamos. Embora já fosse uma leitora compulsiva, eu não consegui nomear um escritor sequer. Naquela aula, conheci o poeta Leonard Cohen e depois,...

#38 Sociedade dos Autores Mortos

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Paul Auster: a cara marota de quem escrevia livros fodásticos Foto: oantagonista.com.br Quem acompanha minhas leituras já sabe que adoro obras de gente morta . Creio que parte do motivo é o fato de eu ser frequentadora de bibliotecas , local em que moradores do Além costumam abundar. Faz menos de uma década que comecei a mudar, de forma consciente, esse hábito e a ler mais da produção contemporânea. Porém, ao saber do falecimento de Paul Auster na semana passada levei um susto. Eu não pude evitar a mesma sensação ruim que tive ao saber da morte de Gabriel García Márquez. Há 10 anos, meu primeiro pensamento ao ouvir a notícia foi “nunca mais teremos um livro inédito de Gabo”. Isso mudou há pouco tempo , mas com a minha má vontade de ler um romance inacabado, por enquanto mantenho a imagem de 2014. Voltando ao autor norte-americano, sua morte me fez querer registrar meu apreço por seu trabalho. Apesar de eu tê-lo lido pouco, no meu coração de leitora Auster tem seu lugar garantido ao lad...

#36 Quem tem medo dos clássicos? + Cinco dicas rápidas

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  Imagem: Pinterest Uma das minhas leituras atuais é “Dom Quixote” ou, com nome e sobrenome, “O engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha”. Sei lá por que “os antigos” gostavam de títulos tão ou mais longos do que esse, mas é o da edição que estou lendo ). Os clássicos são incontornáveis na bagagem de qualquer leitor assíduo e eu, que desviava do engenhoso fidalgo há anos, decidi que este era o momento de encará-lo. Aí aconteceu algo comum nesses casos: descobri que a leitura não é difícil nem tão arrastada quanto eu temia.  Um dos pontos nos clássicos que costuma repelir leitores é a linguagem, às vezes rebuscada. No caso de “Dom Quixote”, publicado em 1605, a forma como Cervantes se expressa é, obviamente, bem diferente da usada hoje, mas existem as notas de rodapé para ajudar com a compreensão (e com a contextualização histórica). Além disso, como explica essa estudiosa da obra de Cervantes , a história do cavaleiro da triste figura é interessante para pessoas de to...