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Mostrando postagens com o rótulo Não-ficção norte-americana

#53 O mundo assombrado pelos demônios, de Carl Sagan

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  Tradução: Rosaura Eichenberg Capa: Jeff Fisher Eu já tinha ouvido falar inúmeras vezes de Carl Sagan como um grande divulgador científico, principalmente por ele ter sido co-roteirista e apresentador da primeira versão da série “Cosmos” em 1980 ‒ da qual vi trechos. O mais perto que eu havia chegado da obra do astrônomo, porém, tinha sido ao assistir a adaptação cinematográfica de seu romance “Contato” no final dos anos 90. (Aliás, ao rever o trailer do filme agora, me perguntei o que Sagan diria, caso ainda vivesse, a respeito do maravilhoso “História da sua vida e outros contos”, de Ted Chiang , cuja história título foi a base para outro filme que adorei, “A chegada” ‒ de 2016 .) De volta ao livro de hoje, eu buscava na biblioteca uma leitura longa para as férias e dei de cara com “O mundo assombrado pelos demônios”. Quando li a quarta capa, alguma coisa fez “clique” e eu trouxe o livro comigo. Em tempo: as férias duraram 15 dias, mas a leitura me acompanhou por mais de um...

#37 Minha história, de Michelle Obama

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  (Capa: Christopher Brand. Tradução de Débora Landsberg, Denise Bottmann e Renato Marques) “Cresci com um pai incapacitado numa casinha pequena, sem muitos recursos, num bairro que ensaiava a decadência, e também cresci rodeada de amor e de música numa cidade múltipla, num país onde a instrução pode nos levar longe. Eu não tinha nada, ou tinha tudo ‒ depende de como você queira contar essa história”. (pg. 428) O trecho acima resume bem as memórias de Michelle Obama. O que mais me cativou nesse livro foi a simplicidade. Sem exagerar no apelo dramático, Michelle narra o seu crescimento sendo caçula de dois filhos de uma família pobre de Chicago. Ela  conta como a estabilidade e a união familiares a ajudaram a estudar, tornar-se advogada em uma grande firma e, mais tarde, envolver-se em causas de apoio ao bem-estar social. Entre essas atividades, teve também a parte famosa de sua trajetória: tornar-se a esposa daquele que viria a ser o primeiro presidente negro dos...

#15 Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, de Maya Angelou

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  (Astral Cultural, Tradução de Regiane Winarski) Há tempos eu tinha em mente ler “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, então eu tinha expectativas, ainda que imprecisas, sobre as memórias de Maya Angelou (Marguerite Ann Johnson). Ao ler o início do livro, pensei em colocá-lo nesta lista , pois estava achando a narrativa da autora, de sua ida para o Arkansas com o irmão, Bailey Jr., para morarem com a avó paterna, uma tragédia cultural e familiar pesada demais para o meu momento. Porém, conforme avancei na leitura percebi o quão variados são os capítulos e as personagens da vida de Maya. Se você não sabe nada a respeito dela e não se importa em pegar alguns detalhes que no livro aparecem mais para a frente, dê uma olhada aqui . Os capítulos iniciais, relatando a massacrante rotina de famílias negras no sul dos EUA na década de 30 e também o que narra um evento traumático ocorrido ainda na infância de Maya foram os mais difíceis de ler, pela crueldade das violências desc...

#9 O mito da beleza, de Naomi Wolf

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  (Rosa dos Tempos, Tradução de Waldea Barcellos)      Passei mais de um mês lendo esse clássico da literatura feminista e, durante boa parte do tempo, eu sabia que queria fazer isto mas me perguntei o que escreveria sobre uma obra tão repleta de reflexões e que grifei de maneira incansável. Aqui estão as minhas impressões. A edição que li, de 2018 (o livro foi publicado originalmente em 1991), possui uma apresentação escrita em 2015. Nesse capítulo, homônimo ao livro, a autora explica o “mito da beleza”, que, de maneira bem resumida, refere-se a como o conceito de “beleza ideal” hoje vigente é irreal, por ter sido artificialmente criado para enfraquecer politicamente nós, mulheres e, de maneira mais óbvia, vender produtos e procedimentos cosméticos e assim sustentar um mercado altamente lucrativo. Depois dessa apresentação e de uma introdução (de 2002), em que a autora fala da comprovação de algumas ideias levantadas por ela na primeira edição e de alguns avanços ...