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Mostrando postagens com o rótulo Ficção Norte-Americana

#54 Dica dupla: A ilha do tesouro, Robert Louis Stevenson e O Ateneu, Raul Pompeia

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     Foto 1: (Capa: Amazon Classics), Foto 2: (Tradução: Samir Machado de Machado, Capa: Giovanna Cianelli)     Em agosto, li Treasure island (1833) com o apoio da tradução de Samir Machado de Machado para a editora Antofágica. Esta me ajudou a entender os termos náuticos que, mesmo em português, pedem notas explicativas. As belas ilustrações de Paula Puiupo na edição brasileira foram um bônus. Numa maravilhosa aula em duas partes que começa aqui , o professor José Garcez Ghirardi mostra como essa aventura, aparentemente bobinha, tem outras camadas, relativas às colonizações britânicas no século XIX.  Se você quiser apenas relaxar, saiba que “A ilha do tesouro” tem uma narrativa deliciosa de acompanhar, e só por isso já recomendo a leitura. Ou, se preferir outro tipo de experiência, vale assistir uma das inúmeras adaptações cinematográficas do romance de Stevenson. Como esta , roteirizada por Orson Welles, em que ele também atua como o pirata L...

#50 A época da inocência, de Edith Wharton

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  (Capa:A2 / Mika Matsuzake) Tradução: Jonas Tenfen e Juliana Steil) Em “A época da inocência”, acompanhamos a vida de um grupo de nova-iorquinos abastados durante a Era Dourada da cidade (entre o final do século XIX e o início do XX).  Um narrador onisciente nos mostra de perto o ponto de vista de Newland Archer. No início do livro, o jovem advogado está noivo de May Welland e ansioso para marcar a data do casamento. May é linda e, como Newland, vem de família rica, portanto a união é ideal para ambos os lados. Ele gosta de literatura e arte, o que torna sua mentalidade menos tacanha do que a da maioria das pessoas de seu convívio. Por isso, apesar de apaixonado, Newland sente-se entediado ao ouvir as opiniões convencionais da noiva, educada para ser boa esposa e mãe e “fazer bonito” em eventos sociais.  Após anos na Europa, a chegada à cidade da recém-separada Ellen Olenska, além de um escândalo, torna-se uma janela por onde Newland vê a personificação do conhecimento d...

#49 Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, e a adaptação de Spike Jonze

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(Direção: Spike Jonze. Roteiro: Spike Jonze e Dave Eggers) Caso a visualização esteja estranha, acesse em sorayaviana.substack.com Max: Carol, sabia que o sol vai morrer? Carol: Eu nunca ouvi falar disso. (…) Você é o rei. E olhe para mim, eu sou grande. Como caras que nem a gente podem se preocupar com uma coisa minúscula como o sol? (Tradução minha) Em 2010, “Onde vivem os monstros” me impactou. A lembrança que guardei do filme desde então é quase tão querida quanto a que tenho de “A história sem fim” , assistido por mim inúmeras vezes quando criança e causa de litros de lágrimas quando o revi já adulta (embora os efeitos especiais dos anos 80, obviamente, não tenham envelhecido bem). Ambos os trabalhos usam a fantasia para falar de temas psicológicos profundos. (Tradução: Heloisa Jahn) Na adaptação de “Onde vivem os monstros” por Spike Jonze , me apeguei tanto à aventura do garoto Max e suas criaturas que fiz questão de comprar a obra original, o livro clássico de Maurice Sendak...

#48 Dicas (nem tão) rápidas: "As coisas que perdemos no fogo" e "Quando acreditávamos em sereias"

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(Imagem: Freepik.com ) Os dois livros que vim indicar hoje são de gêneros diferentes mas têm em comum: 1. títulos relativamente longos 2.  o fato de terem permanecido na minha cabeça por semanas (Capa: La Boca e ô de casa, Tradução: José Geraldo Couto) Quem está antenado com a literatura contemporânea sabe que a argentina Mariana Enríquez tem dado o que falar. Eu comecei a lê-la por “As coisas que perdemos no fogo” e finalmente entendi o porquê da comoção em torno da autora.  Até então eu não havia lido nada parecido. Mariana escreve num estilo que eu classifico de “terror urbano e social”. Os 15 contos da edição estão repletos de personagens marginalizados e situações de injustiça e violência corriqueiras na atualidade. Todos eles se passam na Argentina mas, como toda boa história, têm ressonância universal. Meus favoritos: “A hospedaria” relata a experiência “sobrenatural” vivida pela adolescente Florencia em companhia da amiga Rocío numa hospedaria abandonada. E...

#38 Sociedade dos Autores Mortos

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Paul Auster: a cara marota de quem escrevia livros fodásticos Foto: oantagonista.com.br Quem acompanha minhas leituras já sabe que adoro obras de gente morta . Creio que parte do motivo é o fato de eu ser frequentadora de bibliotecas , local em que moradores do Além costumam abundar. Faz menos de uma década que comecei a mudar, de forma consciente, esse hábito e a ler mais da produção contemporânea. Porém, ao saber do falecimento de Paul Auster na semana passada levei um susto. Eu não pude evitar a mesma sensação ruim que tive ao saber da morte de Gabriel García Márquez. Há 10 anos, meu primeiro pensamento ao ouvir a notícia foi “nunca mais teremos um livro inédito de Gabo”. Isso mudou há pouco tempo , mas com a minha má vontade de ler um romance inacabado, por enquanto mantenho a imagem de 2014. Voltando ao autor norte-americano, sua morte me fez querer registrar meu apreço por seu trabalho. Apesar de eu tê-lo lido pouco, no meu coração de leitora Auster tem seu lugar garantido ao lad...