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Mostrando postagens com o rótulo Ficção brasileira contemporânea

#61 Dica dupla: Natal gay brasileiro?

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  Inspiração para árvore de Natal brasileira  Foto de espacocasa.wordpress.com .  (O site tem outras boas ideias. Gosto da árvore de caixas de ovos e da de abacaxis <3) Há meses coletei algumas histórias e as guardei para ler nesta época do ano. Meu plano, caso elas me agradassem, era compartilhá-las com vocês.  Hoje trago boas novas: duas narrativas natalinas bem diferentes uma da outra e que podem ser boa companhia quando o bode das confraternizações da firma e das festas em família chegar.  ( Paralela ) Felipe Fagundes escreveu mais uma história com os personagens de “Gay de família” . Desta vez, Diego recebe visitas de seus três sobrinhos personificando os espíritos do Natal passado, presente e futuro, numa recriação do clássico (chato) de Dickens . Além do quentinho no coração sem pieguice que o final da história me proporcionou, o humor predomina na narrativa. “Ninguém deu a mínima para a bicha em posse de uma faca” e “Quinhentas e vinte formas de...

#35 Contos indígenas brasileiros, de Daniel Munduruku

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  (Capa: Eduardo Okuno e Maurício Negro) Sabia que o povo Kaingang tem uma história intitulada “Depois do dilúvio”? Mesmo ciente de que mitos fundadores se repetem (com variações, claro) em diferentes culturas, antes de ler “Contos indígenas brasileiros” eu não conhecia essa versão da narrativa lembrada entre nós, ocidentais, como uma das mais populares do cristianismo. Sempre que ouço algo a respeito de homogeneização cultural, me lembro de uma entrevista (que me esqueci em qual veículo aconteceu) com o intelectual indígena Ailton Krenak . Ele aponta que muitos defendem discursos de igualdade entre povos quando o ideal seria reconhecermos nossas diferenças, aprender a respeitá-las e conviver com elas de maneira mais pacífica. No início de uma história Nambikwara presente em “Contos indígenas brasileiros”, chamada “A pele nova da mulher velha”, todos se afastam da protagonista por causa da sua idade avançada. Ao lê-lo, me lembrei da fala de Krenak e refleti que, por maiores que se...

#31 Luminol, de Carla Piazzi

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  (Editora Incompleta, Capa: Angela Mendes e Lara Del Rey) Eu não sei, caro leitor, até que ponto o místico faz parte da sua crença, mas preciso dizer que ao bater os olhos em “Luminol”, eu senti que amaria a leitura. O título conciso e intrigante ( CSI: Vegas feelings ) , unido às imagens imprecisas da capa foram o suficiente para despertar meu interesse. Depois, li o primeiro parágrafo do texto na contracapa e pronto, já precisava ler mais. Dividido em três partes, cada uma com uma narradora diferente, a história começa a ser contada pela escritora e tradutora Maya. De mudança para uma chácara na montanha, com ela chegam caminhões trazendo itens não apenas seus, mas também das mulheres de sua vida: A bisavó, Minda, e a avó, Gera,  que a criaram e a mãe, Clara, morta quando Maya era criança. Em meio à escrita de um livro, objetos e lembranças das narrativas das avós, ela tenta montar um retrato da mãe que mal conheceu. Esta se faz presente de alguma maneira agora que Maya pre...

#27 Dicas Rápidas: Paula Gomes e José J. Veiga

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  (Capa: Dante Luiz) Com seis histórias curtas protagonizadas, cada uma, por “Um garimpeiro, um padre, um médium, um detonador, um guia turístico e eu”, o livro de Paula Gomes chamou a minha atenção logo de cara pelo título. O recorte de momentos cruciais na vida dos protagonistas serve de fio condutor para narrar, a partir do final do século XIX até os anos 2000, a história da cidadezinha fictícia de São Henrique, onde o principal negócio é o garimpo. O clima, a geografia montanhosa e o desenvolvimento do local me fizeram pensar que a autora se inspirou no interior de Minas Gerais ao criá-lo. Os henriquenses não conseguem passar mais do que 24 horas fora da cidade, pois ela os “suga” de volta. Com exceção dessa peculiaridade, nada fora do comum acontece no povoado, mas a escrita de Paula Gomes faz o cotidiano parecer extraordinário. Seu humor sutil me lembrou o de Vanessa Barbara, autora de um dos meus romances queridinhos da vida, “Noites de alface” .  Em “Um garimpeiro…”, ...

#22 "Alameda Santos", de Ivana A. Leite e "Uma mulher sem ambição", de Sabina Anzuategui

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Duas leituras que fiz no mês passado têm vários pontos em comum e por isso hoje decidi juntá-las aqui. Em “Uma mulher sem ambição”, conhecemos Mercedes. Ela tem trinta e tantos anos e já foi a típica mulher bem-sucedida de classe média alta, porém isso foi pelo ralo quando se divorciou. Graduada em cinema e ex-roteirista de TV, ela nunca se dedicou de fato à carreira. Atualmente, dá algumas aulas em uma escola de cinema. Sem paixão ou sequer empenho, concentrada apenas em pagar as contas, ela tem pouco interesse pelo trabalho ou mesmo pela vida e quase nenhuma perspectiva para o futuro. Por trabalhar poucas horas por semana, Mercedes possui tempo livre de sobra e o gasta assistindo filmes em centros culturais e discutindo-os com outros cinéfilos em botecos de São Paulo. A protagonista conta seu cotidiano em diário e é assim que acompanhamos (com curiosidade, no meu caso) seu desânimo com o trabalho formal apesar do orçamento apertado, seus encontros casuais e, acima de tudo, o tédio se...

#20 Meu corpo ainda quente, de Sheyla Smanioto

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    (Nós) Segundo romance da paulistana Sheyla Smanioto, “Meu corpo ainda quente” traz personagens femininas e suas experiências em corpos que “nunca têm só pra elas”, como define uma personagem. O nome da protagonista do romance, João, lhe foi dado como tentativa de mitigar as violências cotidianas contra mulheres no local onde moram. Lugar fictício de desova de corpos durante a ditadura militar brasileira e inspirado no município paulista de Diadema, onde cresceu Smanioto, “Vermelho” é o cenário da história. Nesse ambiente, Jô ‒‒ apelido de João ‒‒ vive seus relacionamentos familiares, de amizade e afetivos. Porém, a relação mais importante mostrada na obra é a de mulheres com seus corpos e com o sexismo sofrido por elas. Ao longo de toda a narrativa, as interações da protagonista com outras personagens mostram a visão de mulheres acostumadas a não ter voz e doutrinadas a afastarem-se das sensações do próprio corpo, palavra sempre grafada com C maiúsculo, para personificá-la...

#10 O senhor do vento, de Gabriel Réquiem

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  (Draco) Se agora em outubro você, assim como eu , leu pouco dentro da temática de Dia das Bruxas (no meu caso, apenas um livro ) mas, agora que o mês está acabando, decidiu ir atrás disso porque sim, vem ver essa dica inusitada. Alguns meses atrás, baixei o ebook grátis de “O senhor do vento” na Amazon (ele ainda está disponível dessa forma, pelo menos no Kindle Unlimited) e me esqueci dele, até que uma outra leitura de horror “deu errado” (provavelmente falarei mais desta em outro post) e eu, procurando por uma história curta para dar volume à lista temática, encontrei o esquecido Gabriel Réquiem. O conto fala de um menino, Zezinho, que, na fazenda da família, um dia encontra entreaberta a porta de um “quarto proibido”, em geral trancado, e, claro, vai xeretar. Lá, ele encontra alguns objetos e uma história aterrorizante do passado de um tio. E é só isso o que posso dizer sobre a trama sem estragar a leitura. Encontrei alguns problemas de ortografia no texto, mas nada qu...

#8 Gay de família, de Felipe Fagundes

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(Paralela) O protagonista, Diego, há tempos tem péssimas relações com sua família religiosa e homofóbica. Num final de semana, seu irmão Diogo implora que ele tome conta dos três sobrinhos para ele e a esposa, Keila, viajarem para um retiro de casais. Diego, que, tamanho o seu afastamento da família, nem sabia quantos sobrinhos tinha ao todo, acaba cedendo ‒ não sem interesse, mas leia o livro para saber o que finalmente o convenceu! ‒ e o desenvolvimento da relação que ele vai estabelecer com as crianças a partir daí é algo muito gostoso de acompanhar. Uma das coisas mais interessantes que um autor de ficção pode fazer, na minha opinião, é criar protagonistas humanos, ou seja, complexos, cheios de defeitos e qualidades em proporções desiguais, pessoas que erram, acertam, erram, erram, erram e estatisticamente em algum dia desses devem acertar de novo, sabe? Diego é assim e mesmo com sua tendência ao drama, é alguém cativante por ser tão autêntico. Ester, Miguel e Gabriel são crianças ...