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# 65 Autoajuda e o ranço que ela provoca

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  (Foto: gerarmemes.com.br ) Antes de começar, um aviso: Se você ainda não segue o Vivo entre Livros no Substack , por favorzinho faça isso. É que o tempo anda curto para atualizar duas plataformas. Por isso a partir de hoje, deixo este cantinho aqui. Os post antigos permanecerão no Blogger, mas para acompanhar novos textos, peço que migre para lá, caro (a) leitor (a). Obrigada pela companhia! Embora meu gosto mude ao longo dos anos, um dos meus preconceitos literários permanece, ainda que menos intenso: o ranço de livros de autoajuda. Pelo que sei dos hábitos alheios, quando o assunto é esse gênero, os leitores dividem-se entre os que  amam (e, em alguns casos, não leem nada fora do assunto) e os que abominam o tema do autoaperfeiçoamento. Por muito tempo eu me identifiquei com o segundo grupo. Até que, seguindo os passos da Rita… Decidi ler os títulos que chamavam minha atenção, mesmo que uma voz esnobe na minha cabeça dissesse que assim eu descia do pedestal da Alta Liter...

#29 AutorAs

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  (Imagem: Domínio Público ) Há uns oito anos, eu  simplesmente lia o que aparecia na minha frente e me chamava a atenção. Eu não pensava sobre o gênero de quem escrevia. Quando, influenciada principalmente pelo Book Tube, comecei a contabilizar, fiquei surpresa ao perceber que a maioria do conteúdo literário consumido por mim era produzido por homens. Num primeiro momento, questionei se de fato esse dado era importante. E, após pesquisar argumentos a favor e contra, iniciei um exercício consciente de ler mais autoras e concluí que, sim, há muita diferença nos temas tratados, na forma como isso é feito e no retrato das personagens do sexo feminino de acordo com o gênero de quem escreve. Nos últimos anos, com uma visão mais ampliada e crítica, descobri escritoras maravilhosas, tanto pela qualidade de seu trabalho quanto pela variedade de temas abordados por elas. O que não significa, vale esclarecer, que deixei de ler autores nem que acho que a escrita deles seja pior que a d...

#27 Dicas Rápidas: Paula Gomes e José J. Veiga

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  (Capa: Dante Luiz) Com seis histórias curtas protagonizadas, cada uma, por “Um garimpeiro, um padre, um médium, um detonador, um guia turístico e eu”, o livro de Paula Gomes chamou a minha atenção logo de cara pelo título. O recorte de momentos cruciais na vida dos protagonistas serve de fio condutor para narrar, a partir do final do século XIX até os anos 2000, a história da cidadezinha fictícia de São Henrique, onde o principal negócio é o garimpo. O clima, a geografia montanhosa e o desenvolvimento do local me fizeram pensar que a autora se inspirou no interior de Minas Gerais ao criá-lo. Os henriquenses não conseguem passar mais do que 24 horas fora da cidade, pois ela os “suga” de volta. Com exceção dessa peculiaridade, nada fora do comum acontece no povoado, mas a escrita de Paula Gomes faz o cotidiano parecer extraordinário. Seu humor sutil me lembrou o de Vanessa Barbara, autora de um dos meus romances queridinhos da vida, “Noites de alface” .  Em “Um garimpeiro…”, ...