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#59 O que acontece quando um homem cai do céu, de Lesley Nneka Arimah

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( Editora Kapulana . Tradução de Carolina Kuhn Facchin. Capa: Mariana Fujisawa) Quem acompanha o Vivo entre Livros já sabe que eu frequento bibliotecas . Lá, um dos meus baratos é encontrar um título totalmente desconhecido por mim, folheá-lo, ler uma ou duas frases da quarta capa e então levá-lo para casa. Assim, descubro aos poucos aquela(s) história. É uma experiência diferente de iniciar um livro recomendado por alguém. Se nunca se deixou surpreender assim, sugiro que experimente. Dia desses, fiz um grande achado numa prateleira de biblioteca: a coletânea de 12 contos “O que acontece quando um homem cai do céu”, da nigeriana Lesley Nneka Arimah. A escrita de Arimah, assim como o sorriso dela, é de arrasar.  (Foto de writingafrica.com ) Os temas tratados pela autora incluem relações familiares (em especial de mãe e filha), paixões adolescentes, violência física e psicológica contra meninas e mulheres. O ponto forte da escrita é a forma cativante com que ela desenvolve as narra...

#58 As águas-vivas não sabem de si, de Aline Valek

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(Arte de capa: Manon Bourgearde)                “ A composição da água é parte oxigênio, parte hidrogênio, dizem, mas não sabem que é também parte memória.” Imersivo e profundo. Esses dois adjetivos podem soar como trocadilho infame ao qualificar uma história que se passa no fundo do mar. Mas atualmente estudo o incrível “A rainha dos cárceres da Grécia” , que trata da escrita de ficção fazendo dela uma deliciosa salada. Por isso, sinto-me empoderada o suficiente para utilizar os adjetivos acima e acreditar que você, leitor, vai mergulhar comigo e ler a resenha até o fim.  A protagonista de “As águas-vivas não sabem de si” é  Corina da Costa (eu não sou a única a apreciar trocadilhos e alusões). Apesar de estar num momento de crise, ela é uma mergulhadora experiente e trabalha há anos em profundidades abissais. Atualmente, Corina integra a tripulação da Auris, um batiscafo de pesquisa cujo objetivo é testar a última tecnologi...

#57 Poemas pro Halloween e pro Dia do Saci

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(Ilustração de Gustave Doré (1832-1883) para The raven no Pinterest ) Mantenho aquele recém-adquirido hábito de ler poesia . Neste mês do horror, reli dois poemas clássicos da língua inglesa, The raven (1845), de Edgar Allan Poe e The rime of the ancient mariner (1798), de Samuel Taylor Coleridge. O primeiro, eu só tinha lido na adolescência e o segundo, na faculdade. Eu não sou uma grande fã de releituras, mas às vezes as faço. É curioso ver a mudança na nossa percepção de um texto conforme (ele e nós) envelhecemos. Portanto, recomendo o exercício.  Eis a minha experiência: É tanta sofrência que até a morte tá cansadinha. Todas as ilustrações de Doré para o livro de Poe The raven (“O corvo”) é a história de um cara deprimido e talvez enlouquecido pela perda de sua amada Lenore. Assim como Gonçalves Dias, o protagonista de The raven “cisma sozinho à noite" , remoendo seu luto, até que um corvo entra pela janela para lhe fazer companhia. A ave, no entanto, faz jus ao ditado “...