#17 A Christmas Carol, de Charles Dickens

 

(Amazon Classics)

Sucesso desde o período em que publicou em folhetins, em meados do século XIX, Charles Dickens passou de autor popular a um dos clássicos da prosa inglesa. Ele produziu obras reeditadas e adaptadas até hoje para cinema, teatro e histórias em quadrinhos entre outras mídias e seu sobrenome até deu origem ao termo “dickensiano”, que refere-se a viver e trabalhar em condições miseráveis.

Seu trabalho mais conhecido é “Um conto de Natal”, novela publicada originalmente em 19 de dezembro de 1843 (e com a primeira edição esgotada no dia 24!) e adaptada para o cinema mais de dez vezes. Por causa dessa história, diz-se que Dickens é “o inventor do Natal” da maneira como é celebrado hoje. Essa lenda é explicada aqui

Em “Um conto de Natal”, Ebenezer Scrooge é um velho empresário preocupado apenas em trabalhar, ordenar aos seus funcionários que façam o mesmo e acumular dinheiro. Hater do Natal, Scrooge recebe, na véspera, a visita do fantasma de seu falecido sócio, Jacob Marley, avisando-o de que, em breve, outros espíritos o visitarão. A promessa / profecia se cumpre e, ao dialogar com o Fantasma do Natal Passado, o do Natal Presente e o do Futuro, Scrooge tem a oportunidade de passar em revista a sua vida, vislumbrar a sua morte e acaba por rever conceitos.

Li os principais romances de Dickens (meu preferido, “Grandes expectativas”, duas vezes) porque o estilo de escrita “novelão” do autor me agrada. Seus personagens, ainda mais. Apesar de detalhes levemente problemáticos na maneira como ele (ou a maioria dos autores do sexo masculino?) retrata Miss Havisham, personagem de “Grandes expectativas” e outras mulheres, sua ótima construção de personagens é, sem dúvida, um dos motivos para que sua obra seja replicada e inspire outros artistas. Os personagens de Dickens são muito humanos, então a identificação com o leitor é fácil. Seus vilões, em especial, são daquele tipo que amamos odiar. 

Com a proximidade das festas de final de ano, mesmo não sendo fã de obras desse tipo (e nem de Natal, para ser sincera), decidi finalmente conhecer o original de “A Christmas Carol”.

Dito isso, chegou a hora de confessar que, do que li do autor até agora, essa foi a história de que menos gostei. Todas as coisas que mencionei sobre Dickens estão lá e, talvez, até melhores, pois a história é curta mas ainda assim consegue construir uma proximidade do leitor com todos os personagens principais. A narrativa flui mais do que em calhamaços como “Oliver Twist” e a pobreza, um dos temas principais de Dickens, é exposta aqui também. Creio que essa leitura não foi para mim por eu não gostar tanto assim do Natal. Não chego a ser como Scrooge e detestar a data, mas sou indiferente a ela. Sinto que me afeta um pouco no sentido “Então é Natal, e o que você fez?” da coisa e me faz, sim revisar o ano que acaba e planejar o que está por vir, mas não me empolga nem emociona. Para mim, essa coisa de espírito natalino é tão balela que nem um autor de que gosto tanto, como Dickens, foi capaz de mudar minha visão. Não que isso seja obrigação dele nem de autor nenhum, claro, mas é algo que muitas vezes me acontece em leituras.

Outro fator que pode ter atrapalhado a experiência, além da expectativa que coloquei de virar natalete de uma hora para outra, claro, foi ter lido em inglês, numa edição digital bem simples. A escrita de Dickens, assim como a de muitos autores clássicos, apesar da longevidade, é simples e tranquila de ler no original, mas acredito que textos de apoio poderiam ter enriquecido a minha leitura. Então, fica a dica, procure uma edição que inclua alguma fortuna crítica. Embora eu não tenha lido nelas, sei que as do selo Penguin (tanto em português quanto em inglês) e as da editora Antofágica costumam caprichar nesse quesito (e no caso da Antofágica, na edição como um todo, incluindo o design gráfico). Ambas também são reconhecidas pela qualidade de suas traduções.

Conclusão: A história tem personagens interessantes e é bem escrita e rápida de ler. Ou seja, ela tem potencial para conquistar leitores em geral. Se você gosta de Natal, se joga! É possível que até se emocione com as palavras do grande Charles Dickens.



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