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#16 Música para camaleões, de Truman Capote

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  (Companhia das Letras, Tradução de Sergio Flaksman) Falei aqui da minha "amizade" de longa data com True Heart (descobri esse apelido dele neste filme que, aliás, adorei) e das expectativas que eu tinha pelo nosso reencontro. É comum, nesses casos, rolar uma decepção, mas desta vez, não. Muito pelo contrário, “Música para camaleões” tornou-se meu novo livro favorito do autor. No prefácio, Capote conta um pouco de sua trajetória literária e explica como aprimorou sua escrita ao longo de 40 anos de trabalho até chegar ao estilo que demonstra nesta obra. Sua intenção, segundo ele, era ir na contramão de outros autores e assim “escrever de menos”, construindo um texto que, embora sucinto, contivesse técnicas de outros estilos de escrita, como a poesia e o texto jornalístico. Ele faz isso ao contar, como ele próprio define, “conversas corriqueiras travadas com pessoas do cotidiano”. Algumas dessas eram anônimas. Outras, estrelas de cinema, escritores consagrados e personal...

#15 Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, de Maya Angelou

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  (Astral Cultural, Tradução de Regiane Winarski) Há tempos eu tinha em mente ler “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola”, então eu tinha expectativas, ainda que imprecisas, sobre as memórias de Maya Angelou (Marguerite Ann Johnson). Ao ler o início do livro, pensei em colocá-lo nesta lista , pois estava achando a narrativa da autora, de sua ida para o Arkansas com o irmão, Bailey Jr., para morarem com a avó paterna, uma tragédia cultural e familiar pesada demais para o meu momento. Porém, conforme avancei na leitura percebi o quão variados são os capítulos e as personagens da vida de Maya. Se você não sabe nada a respeito dela e não se importa em pegar alguns detalhes que no livro aparecem mais para a frente, dê uma olhada aqui . Os capítulos iniciais, relatando a massacrante rotina de famílias negras no sul dos EUA na década de 30 e também o que narra um evento traumático ocorrido ainda na infância de Maya foram os mais difíceis de ler, pela crueldade das violências desc...

#14 O sistema e o antissistema, de Boaventura de Sousa Santos, Helena Silvestre e Ailton Krenak

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  (Autêntica) Fuçando no acervo da Bibli ON , encontrei esse livrinho do qual nunca tinha ouvido falar antes. Na primeira parte do prefácio, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, autor do primeiro ensaio, explica que após a publicação de seu artigo homônimo ao livro, recebeu da escritora Helena Silvestre um comentário dizendo que tinha uma visão muito diferente do tema. Após Helena topar escrever um outro texto com sua própria opinião, Boaventura convidou também o jornalista e filósofo Ailton Krenak a colaborar para a discussão. E assim nasceu este livro com três ensaios curtos. “Sistema e antissistema” abre o livro e é onde Boaventura explica os dois conceitos por meio da História, a partir dos eventos pós segunda guerra mundial, que culminaram com o cenário globalizado capitalista em atual vigência no mundo ocidental. Esse texto é um artigo acadêmico e, portanto um pouco maçante de se ler. A visão do autor, português de Coimbra, é também a mais distante da minha realidade. ...

#13 Northanger Abbey, de Jane Austen (releitura)

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  (Barnes and Noble Signature Editions) Breve sinopse: Catherine mora no interior da Inglaterra e, aos dezessete anos, é convidada pela primeira vez por amigos de sua família a ir com eles para Bath, o point de veraneio com águas termais  que aparece em tantos romances da época, incluindo outros de Jane Austen. Lá, a garota vai alargar um pouco o seu conhecimento de mundo, socializar fora de seu círculo pela primeira vez, fazer amizades e amadurecer.  Já há algumas semanas terminei a releitura de “Northanger Abbey” (“A Abadia de Northanger”) mas, por ser muito fã de Jane Austen, me peguei pensando que não havia nada a dizer a respeito da autora e do seu livro além de “leia logo, por favorzinho”! Hoje tenho algumas outras considerações, então aqui estou. Para quem não sabe, o pseudônimo que adotei aqui no blog foi inspirado por Catherine Morland, a protagonista desse romance. Essa escolha foi feita com base nas impressões que a leitura anterior me deixou, de que Cathe...

#12 Sobre abandonar leituras

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  FB Depois do post anterior , fiquei pensando numa outra causa de ansiedade para leitores ‒ o abandono de leituras. E já vou entregar logo: eu abandono, sim, livros quando me dá vontade! Foi, porém, uma longa jornada até aqui. Durante boa parte da vida, eu fui o tipo de leitora que fazia questão de sempre terminar todos os livros, por mais chatos ou difíceis que eles fossem. Eu enchia a boca para dizer que assim podia “falar mal com propriedade” quando um deles não me agradasse. Hoje acho isso desnecessário, mas entendo meu eu de ontem que focava no fato de que algumas leituras levam mais tempo do que outras para “engrenarem”.  Outra razão que antigamente me impedia de deixar de lado uma leitura era um perfeccionismo absurdo. Isso não chegava a “estragar” a leitura como entretenimento, o papel fundamental dela na minha vida, mas tornava o consumo de certas obras mais uma obrigação dentre tantas outras na rotina. Então eu gastava todo o tempo de leitura dos livros detestados...

#11 “Síndrome de Estocolmo em Leitores"

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  Pinterest “Dsclp, Holden, não foi o que aconteceu quando li a sua história” Uns anos atrás, li em algum lugar agora perdido na blogosfera um texto sobre o que o autor chamou “Síndrome de Estocolmo em Leitores". Ela seria uma sensação de que deveríamos amar determinado livro, em geral porque ele é um clássico, um best seller ou um sucesso de crítica, e o quanto nos sentimos mal ou, no mínimo, estranhos quando esse amor não floresce. A suposta síndrome, é, além de uma provocação, claro, também uma inversão do que acontece na síndrome real . Mesmo assim, o conceito nunca mais me saiu da cabeça e de vez em quando algumas leituras entram para essa categoria nas minhas listas mentais. Meu primeiro assim foi “O apanhador no campo de centeio”, de J. D. Salinger. O li aos 12 ou 13 anos e terminei me perguntando “por que isso aqui é considerado um clássico?” Como eu não conhecia mais ninguém que tivesse lido o romance e na época nem existia internet pessoal no Brasil para facilitar ...

#10 O senhor do vento, de Gabriel Réquiem

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  (Draco) Se agora em outubro você, assim como eu , leu pouco dentro da temática de Dia das Bruxas (no meu caso, apenas um livro ) mas, agora que o mês está acabando, decidiu ir atrás disso porque sim, vem ver essa dica inusitada. Alguns meses atrás, baixei o ebook grátis de “O senhor do vento” na Amazon (ele ainda está disponível dessa forma, pelo menos no Kindle Unlimited) e me esqueci dele, até que uma outra leitura de horror “deu errado” (provavelmente falarei mais desta em outro post) e eu, procurando por uma história curta para dar volume à lista temática, encontrei o esquecido Gabriel Réquiem. O conto fala de um menino, Zezinho, que, na fazenda da família, um dia encontra entreaberta a porta de um “quarto proibido”, em geral trancado, e, claro, vai xeretar. Lá, ele encontra alguns objetos e uma história aterrorizante do passado de um tio. E é só isso o que posso dizer sobre a trama sem estragar a leitura. Encontrei alguns problemas de ortografia no texto, mas nada qu...